Dúvidas frequentes

O que é APLV? Ela é comum?

APLV é a sigla de alergia à proteína do leite de vaca, uma reação do sistema de defesa do organismo às proteínas do leite.

Quando a pessoa com APLV ingere alimentos que possuem as proteínas do leite o seu sistema de defesa as reconhece como uma substância estranha e libera na corrente sanguínea anticorpos (IgE) ou células inflamatórias, acarretando reações gastrintestinais, de pele, respiratórias ou sistêmicas. Estima-se que 2 a 3% das crianças menores de 3 anos possuem APLV.

O que é APLV

Qual é a diferença intolerância a lactose e Alergia à proteína do leite de vaca (APLV)?

Resposta: A APLV é uma reação do sistema imunológico às proteínas do leite de vaca. Ela é mais comum em bebês e crianças e os principais sintomas são: cutâneos (placas vermelhas na pele, coceira, descamação, etc.), gástricos e intestinais (diarreia, sangue nas fezes, intestino preso, vômito, regurgitação, cólicas intensas, etc.), respiratórios (respiração difícil, chiado, etc) e sistêmicos como a anafilaxia. Qualquer quantidade da proteína do leite é suficiente para desencadear os sintomas, portanto seu tratamento é a dieta isenta de alimentos que possuem as proteínas do leite (leite, seus derivados e todos os alimentos preparados com esses ingredientes: bolos, tortas, biscoitos, etc.).

A intolerância à lactose é decorrente da falta ou da diminuição de lactase, enzima que digere a lactose (açúcar do leite). Ela é mais comum em adultos e idosos.

Neste caso os sintomas apresentados são apenas gastrintestinais como: diarréia, cólica, flatulência e distensão abdominal. A pessoa jamais manifestará sintomas de pele, nem respiratórios, como ocorrem nos processos alérgicos, pois o sistema imunológico (de defesa) não está envolvido.

A intolerância à lactose é dose dependente, ou seja, o aparecimento dos sintomas depende da quantidade de lactose ingerida e a quantidade tolerada varia de pessoa para pessoa. De uma maneira geral, não é tolerado o leite, que pode ser substituído pelas fórmulas ou leite de baixa lactose. Os derivados (iogurte e queijo) e preparações com leite, por terem um menor teor de lactose, podem ser tolerados por algumas pessoas.

APLV x IL

Como suspeitar que meu filho tem APLV?

A criança com APLV ao ingerir o leite ou alimentos que possuem as proteínas do leite pode apresentar os seguintes sintomas:

  • Digestivos: Dificuldade para engolir, falta de apetite, recusa alimentar, saciedade com pouca quantidade de alimento, regurgitação (golfos) freqüente, vômitos, cólicas intensas, diarreia com ou sem perda de proteínas, sangue ou muco nas fezes, intestino preso, assadura na região anal.
  • De pele: Urticária (placas vermelhas na pele), sem relato de infecção, ingestão de medicamentos, ou outras causas; eczema atópico ou dermatite atópica (ressecamento e descamação da pele, com ou sem a presença de feridas ou secreção); coceira na pele; angioedema; inchaço de lábios e/ou pálpebras
  • Respiratórios: Coriza, obstrução nasal, chiado, respiração difícil e tosse, desde que não associados a infecções. Os sintomas respiratórios de forma isolada raramente estão associados à APLV, normalmente eles são acompanhados de baixo ganho de peso, sintomas digestivos ou de pele.
  • Sistêmicos ou gerais: baixo ganho de peso, crescimento e desenvolvimento, anafilaxia, FIPIES: síndrome da enterocolite causada por proteína alimentar (choque com acidose metabólica grave, vômitos, diarreia).

É válido ressaltar que esses sintomas também podem ser fisiológicos ou estar associados a outras causas. Portanto, o fato da criança apresentá-los não caracteriza imediatamente APLV.

Estima-se que 1 a 17% das crianças menores de 3 anos apresentam sintomas sugestivos de APLV. Porém, ao realizar a investigação diagnóstica de forma correta apenas 2 a 3% dessas crianças são realmente alérgicas ao leite.

Portanto, na vigência dos sintomas citados é preciso conversar com o médico da criança ou procurar um especialista (alergista ou gastropediatra) para que ele possa investigar e considerar a hipótese de APLV.

O que é APLV
Tipos de reações
Diagnóstico

Como diagnosticar a APLV?

Alguns exames podem ser solicitados pelo médico, porém nenhum é capaz de concluir ou descartar a hipótese de alergia alimentar sozinho. Eles devem ser analisados junto com a história clínica e a resposta da criança à dieta.

Na suspeita de APLV é preciso fazer a dieta isenta de leite, derivados e alimentos que possuem as proteínas do leite por 2 a 4 semanas, dependendo dos sintomas.

Crianças amamentadas ao seio deverão continuar recebendo o leite materno e a mãe deverá fazer a dieta.

Se a criança já foi desmamada o leite deverá ser substituído por uma fórmula especializada. No site temos alguns materiais que poderão ajudar as famílias com a dieta:

A relação das fórmulas que existem no mercado com suas indicações
A relação dos alimentos que não podem ser oferecidos e o material de olho no rótulo para ajudar a identificar os alimentos industrializados que são isentos de leite.
As receitas e o link dos livros de receitas do Instituto Girassol com preparações sem leite.

Se nesse período os sintomas passarem é confirmada a suspeita e o teste de provocação oral deverá ser realizado para testar o leite na dieta novamente. Se os sintomas voltarem o diagnóstico é confirmado.

Se os sintomas não passarem é preciso investigar:

  • Se a criança ainda está consumindo alimentos ou medicamentos que possuem as proteínas do leite por engano.
  • Se a criança está reagindo a outro alimento ou, em caso de crianças não amamentadas, se está reagindo à fórmula usada para substituir o leite (por exemplo a soja). Apenas a fórmula à base de aminoácidos é considerada não alergênica e sem risco de falha.
  • Não é alergia ao leite a causa dos sintomas. Se após a investigação dos itens 1 e 2 for observado que está tudo certo na dieta e os sintomas ainda persistirem, pode ser que o diagnóstico não seja APLV.
Diagnóstico
Tratamento

Qual exame o médico deve pedir para diagnosticar APLV?

Os testes alérgicos que medem a presença de IgE específica para os alimentos no sangue (RAST, ImmunoCap) e na pele (prick test) podem ser solicitados para auxiliar na investigação diagnóstica.

Porém, mesmo que o resultado desses exames seja negativo não é possível descartar a hipótese de alergia ao leite. Isso porque algumas reações, denominadas não mediadas por IgE, não aparecem no exame de sangue e de pele.

Também não é possível confirmar o diagnóstico apenas com o resultado positivo desses testes, pois eles indicam que a criança tem hipersensibilidade àquele alimento, não alergia. A pessoa pode apresentar hipersensibilidade no teste e não apresentar reação ao consumir o alimento. Só é considerado alergia quando o indivíduo apresenta reação ao consumir o alérgeno.

Exames como colonoscopia, endoscopia, etc. são muito invasivos e não concluem o diagnóstico de alergia alimentar. Eles devem ser solicitados quando a criança não responde favoravelmente à dieta para investigar outras doenças intestinais.

Exames que medem a presença de IgG para alimentos (de sangue ou saliva) não são específicos para alergia alimentar e os resultados normalmente são falso positivos, ou seja, o resultado é positivo para muitos alimentos e normalmente a pessoa não apresenta reação ao consumi-los. Alguns pesquisadores relatam que a forma de interpretar esses exames ainda não está correta. Por essa razão, as sociedades médicas e os conselhos de classes têm se posicionado a esse respeito enfatizando que esses exames não são indicados para o diagnóstico de alergia alimentar. Veja a opinião de sociedades e associações médicas internacionais sobre esse tema http://www.sciencebasedmedicine.org/igg-food-intolerance-tests-what-does-the-science-say

Portanto, nenhum exame conclui o diagnóstico de alergia alimentar sozinho. Alguns exames podem ser solicitados, mas precisam ser analisados junto com a história clínica e a resposta da criança à dieta.

Tipos de reações
Diagnóstico

Com que idade podem ser solicitados os testes alérgicos que medem a presença de IgE específica para os alimentos no sangue (RAST, ImmunoCap) e na pele (prick test) para a criança?

Os testes alérgicos podem ser realizados em qualquer idade, porém a chance do resultado não ser tão fidedignos antes de 1 ano é grande, pois o sistema de defesa da criança ainda está em fase de maturação. Além disso, quando a reação é tardia (ex: reações gastrintestinais) ela não é mediada por IgE, por isso não aparecerá no exame que mede a presença de IgE no sangue e na pele, e isso não quer dizer que a criança não é alérgica.

Tipos de reações
Diagnóstico

Meu filho fez um exame que diagnosticou intolerância à lactose. Isso quer dizer que ele não tem alergia ao leite?

Não necessariamente. A intolerância à lactose muitas vezes é um sintoma decorrente da inflamação do intestino. Uma criança com alergia à proteína do leite de vaca que apresenta diarréia, com ou sem a presença de sangue e muco, está com seu intestino inflamado e por essa razão pode também apresentar intolerância à lactose concomitante à APLV.

Esse tipo de intolerância é passageiro, mas pode aparecer no exame e não necessariamente é diagnóstico de base da criança.

É preciso ter muito cuidado com a interpretação dos exames, pois se a criança com APLV for tratada como intolerante à lactose ela poderá não melhorar, pois muitos alimentos sem lactose possuem as proteínas do leite.

O mais comum em bebês e crianças é a alergia ao leite, não intolerância à lactose

APLV x IL
Diagnóstico

Quanto tempo depois do início da dieta os sintomas desaparecem?

Depende do tipo de reação que a criança apresenta. Crianças com reações imediatas apresentam melhora significativa dos sintomas em 3 a 7 dias. Já as crianças com reações tardias podem demorar até 4 semanas.

Tipos de reações
Diagnóstico

Qual é o tratamento da APLV?

O único tratamento comprovadamente eficaz da alergia ao leite ainda é a dieta isenta de todos os alimentos que possuem as proteínas do leite por 6 a 12 meses, dependendo da idade e tipo de reação que a criança apresenta.

Os medicamentos ajudam a minimizar os sintomas, mas eles não tratam a alergia.

Um tratamento em estudo atualmente é o de dessensibilização. Mas ele é indicado apenas para crianças com reações mediadas por IgE e que apresentam alergias persistentes, ou seja, não melhoram até os 5 anos de idade. Ele não é indicado em todos os casos, pois existe risco e não há garantia de eficácia. Além disso, são poucos os médicos que estão realmente capacitados a realizar esse procedimento.

Tratamento

O que devo usar para substituir o leite do meu filho que tem APLV?

Em casos de bebês amamentados ao seio, o aleitamento materno deverá ser mantido e a mãe deverá fazer a dieta.

Caso a mãe não esteja amamentando, recomenda-se a substituição do leite materno por fórmulas ou dietas especializadas para crianças com alergia ao leite de vaca.

Estas fórmulas não contêm as proteínas do leite de vaca na sua forma intacta, por isto são indicadas como substitutas do leite em casos de APLV. Os 3 tipos encontrados no mercado são: fórmulas à base aminoácidos (100% não alergênicas), à base de proteína do soro do leite, caseína ou soja extensamente hidrolisada (hipoalergênicas) e à base de soja.

Como a soja também é um alimento alergênico, estas fórmulas podem falhar em 15% das crianças de uma maneira geral e em até 60% dos casos de reações não mediadas por IgE e mistas. Por esta razão, existem restrições no seu uso e as Sociedades Européias de Gastroenterologia e Alergia Pediátrica, a Academia Americana de Pediatria e o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar não as indicam para crianças menores de 6 meses e como primeira opção de fórmula em casos de reações mistas e não mediadas por IgE, devido ao risco de alergia concomitante à soja.

Dieta isenta de proteína

Meu filho tem APLV, posso dar leite de cabra ou de búfala para ele?

Não, pois as proteínas do leite de cabra e de búfala são muito semelhantes às proteínas do leite de vaca e a chance de reatividade cruzada entre essas proteínas é de 92%. Por esta razão, estes leites não deverão ser usados como substitutos do leite de vaca, uma vez que poderão causar as mesmas reações na criança.

Tratamento

Um bebê que tem alergia ao leite de vaca, pode desenvolver alergia a carne de vaca?

O risco de reatividade cruzada da proteína do leite com as proteínas da carne de vaca é muito pequeno (10%). Portanto, a carne só deverá ser retirada da dieta da criança se for confirmado que ela apresenta reação após seu consumo.

A restrição de carne de gado sem necessidade, além de deixar a dieta ainda mais restrita e monótona, pode acarretar outras deficiências nutricionais como de ferro, zinco e vitamina B12.

Tratamento

Preciso retirar os alimentos com traços de leite da dieta também?

De uma maneira geral é necessário retirar até os alimentos que possuem traços da dieta, principalmente na fase de diagnóstico, pois existem crianças que reagem a mínimas quantidades.

Mas, algumas crianças podem tolerar alimentos com traços sem apresentar reação. Nesses casos a liberação desses alimentos pode ser positiva e auxiliar no desenvolvimento de tolerância ao leite.

Como essa é uma conduta muito particular e depende de cada caso, apenas o médico que acompanha a criança poderá liberar esses alimentos na dieta.

De olho no rótulo
Tratamento

Eu preciso substituir todos os utensílios da minha cozinha para evitar contaminação cruzada com leite?

Os utensílios plásticos e a esponja para lavar louça precisam ser separados, pois são materiais mais porosos e que aderem mais aos resíduos alimentares. Os demais podem ser bem higienizados e reutilizados

Tratamento

Alimentos sem lactose podem ser consumidos por crianças com APLV ?

Os alimentos sem lactose não necessariamente são isentos das proteínas do leite. Por exemplo, o leite sem lactose é um leite normal acrescido da enzima que digere a lactose. Portanto, não contém lactose e contém as proteínas do leite.

Por essa razão a expressão sem lactose no rótulo não significa necessariamente que o alimento é isento das proteínas do leite.

Para saber se um alimento sem lactose, ou qualquer outro alimento industrializado, pode ser consumido é preciso ler a relação de ingredientes no rótulo. Se o alimento for isento de ingredientes que possuem as proteínas do leite, pode ser consumido.

De olho no rótulo
APLV x IL

Posso oferecer leite de arroz ou de soja para o meu filho com APLV?

Crianças menores de 2 anos que não puderam ser amamentadas deverão receber fórmulas especializadas para substituir o leite. Isso porque o leite é a base da alimentação nessa idade e deve conter tudo que a criança precisa para se desenvolver. Os leites de arroz e soja, mesmo os suplementados com cálcio, são pobres em nutrientes e não substituem o valor nutricional do leite materno. O fornecimento dessas bebidas nessa idade pode acarretar prejuízos nutricionais importantes à criança e comprometer o seu desenvolvimento.

Quando a criança tem mais de 2 anos, come bem todos os tipos alimentos (frutas, verduras, legumes, arroz, feijão, carnes, etc) e está dentro do peso, nós até podemos ofertar as bebidas suplementadas com cálcio (ex: bebida de arroz). Com relação à soja é preciso certificar-se antes se a criança não tem alergia concomitante à soja.

Porém, quando a criança maior de 2 anos tem baixo ganho de peso ou reage a mais de 2 tipos de alimento é preciso oferecer uma fórmula nutricionalmente completa indicada para a idade, pois nesse caso a fórmula não seria apenas um substituto do leite, mas sim um complemento alimentar.

No site temos a relação das fórmulas que existem no mercado com suas indicações.

Comparativo de fórmulas
Tratamento

É verdade que a soja faz mal para a criança?

Existe a hipótese de que o consumo de soja em excesso por crianças possa acelerar a puberdade e a primeira menstruação das meninas e comprometer a produção de espermatozóides dos meninos, pois as isoflavonas da soja são semelhantes ao estrógeno (hormônio feminino).

Mas, isso ainda é uma hipótese. Não temos estudos que comprovem o quanto de soja é suficiente para acarretar tais efeitos e nem o tempo necessário de consumo.

Por precaução, quando a criança tem alergia ao leite e consome soja estamos orientando que as famílias evitem os demais alimentos à base de soja além da fórmula para substituir o leite. Se o uso de soja for prolongado, recomendamos uma avaliação hormonal 1x ao ano para o médico verificar se está tudo certo.

Tratamento

Minha filha tem APLV, ela tem 1 ano, o que posso oferecer para ela comer?

Na idade dela a maioria dos alimentos que devem ser oferecidos não possuem leite: arroz, feijão, carnes, legumes, verduras, frutas, etc. Portanto, ofereça mais esse tipo de alimento.

O leite deverá ser substituído por uma fórmula especializada para a idade e o tipo de reação ele apresenta. Veja o material comparativo entre as fórmulas para conhecer as opções disponíveis no mercado. http://www.alergiaaoleitedevaca.com.br/para_pais.php?id=78

No site temos alguns materiais para lhe ajudar com a dieta:

Tratamento
De olho no rótulo
Receitas
Introdução de sólidos
APLV nas escolas
Guia de viagens

Como deve ser a dieta da mãe que amamenta?

Quando a criança com APLV apresenta sintomas em aleitamento materno é a mãe que deverá fazer a dieta, pois a proteínas do leite que ela consome podem ser veiculados pelo seu leite.

Não é uma dieta fácil, pois a mãe já estava habituada a consumir esses alimentos. Mas é muito possível quando a mãe é bem orientada.

Comece conhecendo os alimentos que possuem as proteínas do leite e você não pode consumir. (passo 2)

Depois, selecione os alimentos que você gosta de comer que não possuem leite: arroz, feijão, massas com molho vermelho e sem queijo, carnes, verduras, legumes, frutas, bolos, pães e doces sem leite.

Evite comer fora de casa nos primeiros dias. Assim será mais fácil selecionar o que você pode comer e não passará vontade de comer os alimentos que não pode.

Prepare alimentos em casa, selecione as receitas isentas de leite e/ou substitua o leite nas preparações que gostava por outros ingredientes (link receitas, passo 4).

Sempre que tiver vontade comer algum alimento, leia o rótulo para saber se tem leite ou pesquise se existe algum alimento similar sem leite (link de olho no rótulo).

Como o leite e seus derivados são a maior fonte de cálcio na dieta, as mães em dieta deverão receber suplementação de cálcio (1.000mg/dia).

Tratamento

Estou grávida e meu primeiro filho teve APLV, o que posso fazer para prevenir a APLV no meu segundo filho?

Quando o primeiro filho teve a APLV a única forma de tentar prevenir no segundo filho é garantindo o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês.

É importante não deixar que ofereçam fórmulas à base de leite de vaca no berçário sem que haja uma real necessidade, pois a exposição precoce às proteínas do leite é uma das principais causas de alergia.

Com relação à sua dieta durante a gestação, já foi comprovado que restringir alimentos que possuem as proteínas do leite nessa fase não previne a alergia na criança e essa conduta pode acarretar sérias deficiências nutricionais para a mãe e para o bebê. Portanto, dieta na gestação não é recomendada.

Ao iniciar a amamentação você também não precisa fazer a dieta. Exceto se o seu segundo filho começar a apresentar sintomas.

Quando a criança não tem sintomas, mínimas quantidades de leite que passam pelo leite materno podem até ajudar a desenvolver tolerância e prevenir a alergia ao leite.

Mas, se ele apresentar sintomas é preciso que você faça a dieta.

Não é necessário complementar o leite materno. As hipóteses de leite de fraco não são reais. Quanto mais você amamentar, mais leite terá.

As únicas coisas que realmente diminuem a produção de leite é o estresse e a redução no número de mamadas.

Se você realmente não conseguir amamentar por algum motivo, como prevenção de APLV o recomendado é oferecer uma fórmula à base de proteína extensamente hidrolisada ou à base de aminoácidos.

O que é APLV
Tratamento

Meu filho está tomando fórmula de aminoácidos faz 1 semana e está com mais fome do que antes, quer mamar toda hora. Por que?

Na verdade não é fome. O que acontece é que nas fórmulas à base de aminoácidos e à base de proteína extensamente hidrolisada a proteína já está digerida.

Nas demais fórmulas à base de leite de vaca a proteína está na sua forma inteira e por isso a digestão é mais lenta.

Na transição de fórmula a criança pode ter essa sensação de fome mais rápida, mas é devido à digestão facilitada.

O ideal é não engrossar as fórmulas para aumentar a saciedade, pois ao engrossá-las aumentamos a caloria oferecida apenas com carboidratos e isso pode ser prejudicial em longo prazo, além de causar fome rebote em pouco tempo também.

Uma alternativa nessa fase é oferecer mamadas com menores volumes e intervalos mais curtos. Por exemplo, ao invés de oferecer 3 mamadas de 200ml, ofereça 4 mamadas de 150ml.

Outra opção é bater a fórmula com frutas e aveia. A fibra das frutas e da aveia auxiliam a lentificar o esvaziamento do estômago, possuem mais vitaminas e não aumentam em demasia as calorias.

Tratamento

Meu filho tem alergia à lactose. Ele pode comer chocolate sem lactose?

A alergia é à proteína do leite, não à lactose. A lactose é o açúcar do leite e açúcar não causa alergia. A expressão alergia à lactose é errada, pois não existe.

É importante saber disso, pois os alimentos sem lactose não necessariamente são isentos das proteínas do leite. Por exemplo, o leite sem lactose é um leite normal acrescido da enzima que digere a lactose. Portanto, não contém lactose e contém as proteínas do leite.

Portanto, a expressão sem lactose no rótulo não significa necessariamente que o alimento é isento das proteínas do leite.

Para saber se um alimento sem lactose, ou qualquer outro alimento industrializado, pode ser consumido é preciso ler a relação de ingredientes. Se o alimento for isento de ingredientes que possuem as proteínas do leite, pode ser consumido. Na dúvida é preciso confirmar no SAC das empresas.

Com relação aos chocolates, depende da marca:

  • chocolate sem lactose da cacau show: é isento de ingredientes com leite e produzido em uma fábrica que não produz outros alimentos com leite. Portanto, não contém as proteínas do leite e nem traços - PODE SER CONSUMIDO.
  • chocolate sem lactose da Nestlé: possui gordura anidra de leite na relação de ingredientes. Portanto, contém as proteínas do leite e NÃO pode ser consumido.

De olho no rótulo
APLV x IL

Meu filho tem alergia à soja, ele pode consumir lecitina de soja e óleo de soja?

A chance de conter as proteínas da soja na lecitina e no óleo é mínima e o consumo desses alimentos normalmente é bem tolerado por crianças alérgicas à soja. Por essa razão o FDA não os rotula como alérgenos e são liberados na dieta de crianças alérgicas à soja. Mas a decisão de liberar ou não esses alimentos deve ser do médico e do nutricionista da criança.

Tratamento

Gostaria de uma lista de alimentos industrializados que eu posso dar para meu filho com APLV.

Não oferecemos mais nomes de marcas por segurança uma vez que as empresas têm mudado com frequência a informação nos rótulos.

Ao invés disso, temos preferido ensinar as famílias a lerem os rótulos dos alimentos e identificar quais não possuem leite e podem ser consumidos.

De olho no rótulo

Na dúvida com relação à composição do produto o recomendado é que as famílias liguem no SAC das empresas de alimentos.

Algumas mães se uniram, ligaram para muitas empresas, conseguiram checar uma grande lista de produtos industrializados e disponibilizaram-na aqui no site. (link lista das mães- estão elaborando)

Porém, mesmo com a lista em mãos é importante checar o rótulo, pois as empresas podem mudar a composição de seus produtos sem que sejamos comunicados a tempo.

Corante caramelo tem leite ou pode ser consumido?

A maioria dos caramelos são preparados com água e açúcar. Porém, alguns fabricantes podem usar leite no preparo.

Por essa razão, quando o alimento possui caramelo ou algum aditivo à base de caramelo (exemplo: sabor, aroma, corante), é preciso checar com o fabricante.

Tratamento

Posso consumir alimentos que possui ácido lático e seus derivados (lactato de sódio, lactato de cálcio, etc.)?

A maior parte do ácido lático é derivada da fermentação da sacarose, presente na cana de açúcar. Por essa razão não tem leite e pode ser consumido.

Porém, outra parte é derivada da fermentação da lactose. Mas os alimentos que possuem ácido lático derivado da fermentação da lactose possuem ingredientes com leite na sua composição ou ele estará descrito como cultura inicial de ácido lático.

Se o alimento com ácido lático que deseja consumir não tiver ingredientes com leite e nem a descrição cultura inicial de ácido lático pode comer sem receio!

De olho no rótulo

O que posso fazer para melhorar o sabor da fórmula?

  • Adicione 2 gotas de essência de baunilha ou bata com frutas.
  • O cacau, chocolate em pó ou groselha podem ser usados com moderação para crianças maiores de 1 ano.
  • Ofereça a fórmula em copos com tampa e canudo para crianças maiores.
  • Adicione a fórmula em preparações (ex: purês, sopas, caldo de feijão, etc). Mas acrescente-a depois que a preparação estiver pronta ou em preparações frias.A fórmula não deve ir ao fogo.

Tratamento

Meu filho tem APLV e está fazendo a dieta há 15 dias mas não melhora e não ganha peso. Por que?

Se ele não ganha peso e continua apresentando sintomas pode ser que a alergia ainda se mantém.

Nesses casos é preciso investigar 3 fatores:

  • Se ele ainda está ingerindo alimentos ou medicamentos que possuem as proteína do leite por engano.
  • Se ele está reagindo a outro alimento ou a fórmula usada para substituir o leite (por exemplo a soja). Apenas a fórmula à base de aminoácidos é considerada não alergênica e sem risco de falha.
  • Não é alergia ao leite a causa dos sintomas. Se após a investigação dos itens 1 e 2 for observado que está tudo certo na dieta e os sintoma ainda persistirem, pode ser que ela não tenha alergia ao leite. Mas só o seu médico poderá concluir isso.

Tratamento

Meu filho está fazendo a dieta há 3 meses, mas não está ganhando peso. Por que?

O baixo ganho de peso está associado à baixa ingestão de calorias totais e nutrientes, mas também pode ser um sinal de que a alergia se mantém.

Nesses casos deve-se primeiro avaliar se a quantidade de alimentos, de leite materno ou fórmula que a criança consome por dia estão adequados. Em caso de crianças que recebem fórmula é preciso checar também se a diluição da fórmula está correta. Se qualidade e a quantidade da dieta estiverem adequadas, deve-se suspeitar de ingestão acidental de leite na dieta, de reação à fórmula usada para substituir o leite e/ou ou de alergia a outros alimentos que não foram identificados. Cerca de 35% das crianças com APLV podem apresentar alergia a outros alimentos.

Tratamento

Como deve ser feito o teste de provocação oral?

O TPO consiste em reintroduzir o leite na dieta em pequenas doses com aumento progressivo no volume, na presença do médico em ambiente hospitalar ou ambulatorial, dependendo do tipo de reação.

É necessária a presença do médico durante o teste por 2 motivos: (1) se a criança apresentar alguma reação será possível medicá-la imediatamente, (2) os pais podem subvalorizar ou supervalorizar as reações que a criança apresentou, por não conhecerem exatamente todas as manifestações clínicas que ela poderá apresentar.

As reações mediadas por IgE podem aparecer imediatamente ou em até 2 horas. Já as reações tardias podem nem aparecer no mesmo dia. Nesses casos a criança volta para casa tomando o leite. Caso ela apresente algum sintoma é preciso ligar para o médico.

Se a criança apresentar reação após a reintrodução do leite é confirmada a APLV e a dieta deverá ser mantida por 6 a 12 meses na dependência da idade e da gravidade das manifestações.

Se em 30 dias consumindo o leite na dieta a criança não apresentar nenhum sintoma o teste é considerado negativo, ou seja, a criança não tem APLV ou já sarou.

Tratamento
Diagnóstico

O que fazer caso haja ingestão acidental de alimentos com leite?

Se a criança consumir algum alimento com leite por engano e os sintomas forem desencadeados a família deverá seguir a conduta do médico e avisá-lo. Caso os sintomas não melhorarem, pode ser necessário procurar um serviço de emergência. Mas, é necessário comunicar o médico de plantão que a criança possui APLV.

A fim de sentirem-se mais seguros, aos pais podem solicitar ao médico uma declaração por escrito com o diagnóstico da criança, as orientações e medicamentos que poderão ser administrados caso ocorra ingestão acidental do alimento.

É verdade que a alergia tem cura? Até quando meu filho precisará fazer a dieta?

É verdade. Muitas crianças desenvolvem tolerância ao leite com o passar do tempo e saram da alergia.

Mas para isso é preciso seguir o tratamento corretamente. A ingestão de alimentos com leite quando a criança apresenta sintomas pode retardar o desenvolvimento da tolerância.

Não é possível precisar o tempo exato, pois depende muito do tipo de reação e da forma como o organismo da criança reage. Mas é importante reavaliar e realizar o teste de provocação após cerca de 6 a 12 meses de tratamento sem sintomas.

Diagnóstico

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